segunda-feira, 11 de outubro de 2010

REALIDADE E PROJEÇÃO

Vivemos numa época em que se prioriza aquilo que desejamos ser, em detrimento daquilo que realmente somos. Muitos se enganam, criando grandes ilusões de si próprio e em muitos casos não aceitam aquilo que realmente são. Não conseguem admitir que sejam fracos, influenciados pelo ambiente, pelo DNA de seus genitores, que são influenciados pela cultura, economia, etc...
Sem dúvida, como já nos alertara o filósofo Blaise Pascal que somos um “Caniço Pensante”. De fato, somente quando nos damos conta desta realidade e assumimos nossas fraquezas, nossos defeitos ou aquilo que não é tão bom em nós, é que de fato tomamos nossa vida nas mãos e conseguimos encarar a realidade “nua e crua”, sem nos abatermos com o peso daquilo que somos.
Dado este primeiro passo, podemos agora olhar para nossas qualidades, nossas virtudes, (sem super valorizá-las), mas apenas vê-las como realmente elas de fato são (não mais que isso).
Tomando posse destas duas realidades podemos desmistificar nosso “mundinho”, criado a nosso bel-prazer e encarar o mundo real, com seus caminhos tortuosos, com seus espinhos, com o calvário e cruzes, todavia, poderemos contemplar também o perfume das rosas, o crepúsculo do novo amanhecer e a glória da Ressurreição.
Olhando para nossa realidade vemos pessoas que acreditam serem todas - poderosas. Às vezes, até o são. Mas não tem o direito de serem, porque em vez de favorecer os menos desprovidos, continuam ajudando aqueles que oprimem e esmagam com seu mórbido poder os mais fracos.


Isso que acabamos de refletir é uma realidade vigente, principalmente em nosso país (BRASIL), no qual os poderosos continuam vestindo uma roupagem por cima de seus sepulcros calhados (seus corpos inescrupulosos) fingindo ser a favor da vida, da saúde, enfim, dos mais necessitados.


Há quem diga que governa ou então fazem tudo por todos, pobres destes fariseus modernos, que não conseguem encarar a verdade de si mesmo e que por não se aceitarem ser quem são, tentam revestir-se de uma imagem cândida e pueril.
Pobres destas pessoas ou de nós, que não conseguem assumir sua fragilidade e fazer dela ponte para a superação e desenvolvimento daquilo que temos de melhor; que está escondido no nosso âmago, no qual, só conseguimos adentrar quando realmente aceitamos quem somos e como somos, para alçar vôo para aquilo que de fato fomos criados, para sermos “Santo como o Pai do Céu é Santo” (Cf. Lv 11, 14; Mt 5, 48).
Peçamos a Deus que não deixemo-nos ser enganados por esta raça de víboras e que consigamos nos libertar de tudo aquilo que nos aproxima deles, para buscarmos cada vez mais nos aproximarmos do verdadeiro Rosto de Deus presente em cada um de nós.
Encaremos a nossa realidade, por mais severa que pareça ser, ela esconde um tesouro preciosíssimo, que apenas quem se liberta da falsa imagem que tem de si mesmo consegue vender tudo para adquiri-la.


Façamos como aquele homem do Evangelho que tendo descoberto o tesouro escondido numa propriedade vendeu tudo para adquiri-la. Desfaçamos-nos de tudo aquilo que nos impede de possuir este tesouro, por mais que pareça um preço alto, valerá à pena. Pois tudo aqui é uma preparação para uma vida na qual contemplaremos face a face Aquele que nos Criou e que nos Ama, apesar de nossa pequenez.
Portanto, encaremos nossa realidade e façamos dela um meio para alcançar as coisas do alto, e não um instrumento para nossa destruição, pois tudo o que fizerdes a um destes pequeninos foi a Mim que o fizestes (Mt 25, 40).

Por Tiago

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