segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PESSOAS ‘CHEIAS DE UM GRANDE VAZIO’

“No mundo as pessoas estão ‘cheias de um grande vazio’. Esse é o espaço que Deus deveria ocupar”.



Alguns dos grandes santos da Igreja viveram um “vazio” em determinado momento de suas vidas, chamado ainda de obscuridade ou “noite escura”. Entre os mais conhecidos podemos citar São João da Cruz e Madre Teresa de Calcutá.
O livro: ‘Madre Teresa: venha e seja minha luz’, reúne algumas cartas escritas por ela e foi compilado pelo Padre Brian Kolodiejchuk (postulador da causa de canonização da religiosa). “Há tanta contradição em minha alma, um profundo desejo de Deus, tão profundo que faz mal; um sofrimento contínuo e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, vazia, sem fé, sem ânimo, sem zelo...”, dizem as palavras de Madre Teresa em um dos trechos do livro.
O seu diretor espiritual, lhe respondendo uma das cartas, escrevia que quanto mais chegamos perto de Deus, mais sentimos esse “vazio”, pois a pessoa passa a viver o que o próprio Cristo viveu na cruz, quando exclamou: “Meus Deus, meu Deus, porque me abandonaste” (Mc 15,34b). Esse exemplo de Madre Teresa talvez não seja parâmetro para nenhum de nós, pois ela foi extraordinária, diferente. Contou que uma vez sonhou que havia morrido e chegando ao céu foi recepcionada por São Pedro, que disse: - Pode voltar, pois no céu não há favelas.


O “vazio” dos santos como Madre Teresa de Calcutá é vivido por uma busca constante e incansável de Deus. Muito diferente do “vazio” que as pessoas estão sentindo nos dias de hoje, na pós-modernidade. A alegria, atualmente, está na conquista de um bem sonhado (como um carro, uma casa) ou numa viagem (um cruzeiro, Europa) ou ainda numa noitada (com mulheres, bebidas, drogas).
Será que as pessoas não percebem que tudo isso é apenas um prazer passageiro? Todos nós podemos e devemos nos divertir, mas com moderação e não podemos esquecer-nos do nosso lado espiritual, não podemos esquecer-nos de Deus, nosso Criador. Essa vida terrena é apenas uma passagem, tudo o que plantamos aqui iremos colher na vida eterna.
Todo esse prazer passageiro é o que gera o “vazio” em nós. No momento em que estamos nos divertindo, temos a sensação que estamos vivenciando a melhor coisa do mundo, mas no dia seguinte vem o arrependimento, a dor, o “vazio”. Muitas vezes humilhamos as pessoas em nome de nossa felicidade, tratamos o próximo como objeto, abusamos da liberdade que nos foi concedida por Deus. Estamos vivendo uma crise de valores.
Está havendo uma absolutização do relativo e uma relativização do absoluto. O que isso quer dizer? O que é absoluto e relativo para você? O que é absoluto e relativo para nós? Colocamos DEUS como absoluto e uma FESTA como relativo (existem muitos outros exemplos de absoluto e relativo, pense!). O que está acontecendo é que se inverteram os valores.
Ir a uma festa tornou-se algo absoluto: ‘não posso faltar’, ‘não posso chegar atrasado’, ‘tenho que ir com a melhor roupa’ (não que é pecado ou está errado ir a uma festa). Mas, quando se trata de Deus, eu relativizo: ‘hoje estou cansado e não vou à missa’, ‘cheguei cansado e não rezei antes de dormir’, ‘naquele encontro vamos chegar meia hora depois, porque nunca começa no horário’.
Aonde vamos parar? Até quando a humanidade vai viver de “costas para Deus”? Reflita sobre isso, pois Deus está sempre de braços abertos para te acolher. “Deus não quer saber o que você fez até hoje, Ele quer saber o que você vai fazer a partir de agora” Pe. Fábio de Mello.
Saia desse “vazio” e venha para Deus, Ele te perdoa, te acolhe, te espera. Vamos viver no mundo, mas não vamos ser do mundo. NÃO ESQUEÇA: Deus sem você é Deus. Você sem Deus não é nada. Boa reflexão.


FONTES:
KOLODIEJCHUK, Brian. MADRE TERESA, venha, seja minha luz. Traduzido por Maria José Figueiredo. Editora Thomas Nelson Brasil. Rio de Janeiro: 2008
http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=240151

Por ELI MARCEL

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