quinta-feira, 29 de abril de 2010



UM SÁBADO DIFERENTE (E ESPECIAL).....

Se eu falasse que foi um sábado somente diferente, estaria omitindo o quão maravilhoso, sensacional e espetacular foi aquele dia. E mais, era sábado de Aleluia (03.04.2010). Testemunho a vocês que foi o melhor sábado de Aleluia da minha vida. Explico por que: A Semana Santa é vivida com muita intensidade por todos os cristãos católicos, que realmente seguem a Jesus Cristo.
Na quinta-feira santa, a Missa do Lava-pés mostra toda a humildade de Jesus. Depois a sexta-feira da Paixão é cercada de mística e amor; amor sim, de Jesus que morreu por você, por mim, por nós na cruz. Adoramos o Senhor até as 3 da tarde nesse dia, quando acontece a Celebração da Paixão (muitas pessoas dizem que esse dia não faltam à Missa, mas a sexta-feira da Paixão é o único dia no ano que não se celebra Missa na Igreja Católica). Depois ainda tem a Via-Sacra, tradicional em muitas paróquias, com a encenação de Paixão de Cristo e a procissão do Senhor morto e de Nossa Senhora das Dores. Este dia ainda é marcado como tempo favorável ao jejum e abstinência. Tudo isso significa que vivemos muito intensamente o dia da morte de Nosso Senhor.
Mas, nós não ficamos na morte não é mesmo? O sábado de Aleluia tem a Missa mais bonita do ano, cercada de beleza, significados e ritos. A Missa da Ressurreição acontece somente à noite, ou seja, depois de uma sexta-feira muito movimentada, religiosamente falando, o sábado é para “descansar um pouco” e depois participar da Missa do Fogo, como também é chamada essa celebração. Você deve estar se perguntando: Eu sou um católico que participo e faço assim. Estou errado? Claro que não. Também faço assim todos os anos, o que é absolutamente normal. Porém, esse ano de 2010, aqui em Piraquara (PR), nós postulantes tivemos uma experiência inesquecível.
Mora aqui em Piraquara (PR), há quase duas décadas, o Frei Rui (franciscano). É conhecido por fazer a caridade de forma indiscriminada. Ajuda todas as pessoas que a ele acorrem. Por ser conhecido e reconhecido por todos, recebe muitas doações para serem distribuídas aos pobres, além de contar com a ajuda de voluntários na triagem, organização e distribuição dessas doações. Algumas datas são prioridade na distribuição das doações: Páscoa, Dia das crianças e Natal são as mais significativas.
Meio que por acaso fomos participar da distribuição dos ovos de Páscoa desse ano (ou melhor, foi a Providência Divina). Assim que chegamos aqui em Piraquara, uma pessoa da paróquia me disse que é uma experiência muito legal distribuir as doações com o Frei Rui. A principio nem sabia quem era o Frei Rui, mas aquilo ficou na minha memória. Certo dia ele veio aqui em casa nos visitar e perguntei sobre a distribuição das doações nesta Páscoa: como seria, se poderíamos participar, etc. Ele ficou muito feliz com o interesse e de imediato já nos deixou a par de tudo. Combinado, sábado de Aleluia vamos “trabalhar”.
É chegado o dia. A estrutura já estava toda montada. Além de nós, muitos outros voluntários participaram da distribuição. Foi um caminhão com os “kits” e vários carros acompanhando a “comitiva da caridade”. Os locais de visita, você deve imaginar que são bem pobres. Favelas e vilas com esgoto a céu aberto, sem pavimentação. Cada mãe com pelo menos 4 filhos. Chegávamos ao local e as pessoas, crianças e adultos, começavam a formar a fila para receberem o “kit de Páscoa”. Em 5 minutos, eram mais de 200 crianças, uma atrás da outra, com os olhos brilhando, algumas fazendo a primeira e talvez única “refeição” do dia.
Fomos a aproximadamente uns 10 núcleos (favelas), todas com as mesmas características de pobreza e sofrimento. Em algumas delas, perdíamos de vista o final da fila. As crianças, muitas delas descalças e sujas, naquele momento estavam muito felizes com o presente do “coelhinho da Páscoa”. Ficavam totalmente acessíveis, para fotos, abraços e beijos. A maior recompensa era essa alegria estampada no rosto de cada criança. Senti verdadeiramente (na pele) o apelo de Jesus “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus” (Mt 19,14).
Foi o sábado inteiro, o dia todo, sem almoço, mas foi muito bom. Percebi que realmente devo agradecer a Deus por tudo o que tenho, pedir perdão por todas as vezes que reclamo de “barriga cheia” e saber que, como cristão, vim para “servir e não para ser servido” (Cf. Mt 20,28). Foi o melhor sábado de Aleluia da minha vida, simplesmente inesquecível. Uma lição de vida.





Por Eli Marcel

quarta-feira, 28 de abril de 2010



A DISTÂNCIA NÃO SEPARA A AMIZADE

No último domingo (dia 25.04), inusitadamente recebemos a visita ilustre do casal Antonio e Sulmira, oriundos da Paróquia Santuário Nossa Senhora do Trabalho, em Porto Alegre (RS). Estavam em Curitiba (PR) para o casamento de um afilhado e decidiram nos visitar aqui no seminário, para "matarmos" a saudade. Num clima de extrema alegria, recordamos momentos de nossa estada na capital gaúcha e partilhamos as novas experiências adquiridas nessa nova etapa, aqui em Piraquara (PR).

Obrigado Antonio e Sulmira pela carinhosa visita e eterna (sincera) amizade


Por postulantes

segunda-feira, 26 de abril de 2010


NOSSA SENHORA DO TRABALHO

Há ditados que dizem que enxergamos o mundo a partir da cor dos nossos olhos, outros afirmam que é de acordo com os óculos. Pe. Luis Guanella via o mundo a partir da sua fé e do seu amor a Deus Pai, Bondoso e Misericordioso. Desta maneira, a devoção à Nossa Senhora do Trabalho, não iniciou com o beato, contudo, é pelo seu prisma que nós a veneramos.
O título não era novo e não é uma invenção do Padre Luís Guanella e da sua piedade devota e concreta. Antigos quadros representam a Mãe de Deus atenta em trabalhar, tendo nas mãos o fuso para a lã, até no momento da anunciação; os cristãos sempre amaram contemplar Maria atenta ao seu trabalho de casa; quando o trabalho, no século passado, adquiriu uma nova visão, promissor de bem-estar, mas também trágico de sacrifícios e de sofrimentos, em vários lugares os fiéis quiseram colocar em evidência uma visão mais serena, ainda que sacrificada e trabalhosa, colocando o trabalho sob a proteção da Virgem mãe zelosa e atenta a cada situação e dificuldade dos seus filhos. (“Don Guanella inédito” - Nos escritos de Piero Pellegrini - Alejandro Dieguez e Nino Minetti, - Trad. Pe. Alirio Anghebem; p. 376-381). Relatos históricos dizem que em 1894, na França, onde nossa senhora era venerada como Nossa Senhora dos Campos por alguns e por outros como Nossa Senhora da Oficina, passou-se a chamar, a partir do congresso de Amiens, de “Notre Dame du Travail” (Nossa Senhora do Trabalho). Entretanto, a Nossa Senhora do Trabalho à qual estamos acostumados a venerar, teve suas raízes num pequeno lugarejo da Itália, Nova Olônio. Cidade marcada pelo abandono e lugares ermos, norteado por um imenso banhado (planície alagada).
Quando Pe. Luis Guanella chega nesta região e decide mudar este ambiente, consideram-no louco, mas como não era mais novidade acharem isto dele, se manteve firme no propósito. Como não tinha muita mão de obra e nem dinheiro para pagar empregados, utilizava os “Bons Filhos” (crianças portadoras de necessidade especiais) que conseguiam trabalhar. Muitos, quando os enxergavam indo para o trabalho, caçoavam, desdenhavam.
Como possuía uma confiança inabalável na Providência Divina e colocou esta obra sobre a proteção de Nossa Senhora do Trabalho, teve bom êxito. Hoje em dia, Nova Olônio é uma cidadezinha muita agradecida ao Pe. Luis e aos seus ajudantes e, sobretudo, a Nossa Senhora do Trabalho.
Desta maneira o Pe. Luis propagou esta devoção e recomendava principalmente aos desempregados, aos oprimidos, aos trabalhadores sofridos, para todos àqueles que necessitam de um alento. Ninguém melhor do que Maria Santíssima (ainda mais sobre este titulo) para confortar e mostrar o caminho certo para os trabalhadores. Fazendo-os perceber a importância da dignidade do trabalho e de como ele (o trabalho) o amadurece (ao homem e a mulher) e o torna artífice da criação, pois com o trabalho o homem dá continuidade à ação de Deus no mundo.
Pe. Luis Guanella utilizou desta devoção para dar à vida mais fé e à fé mais vida, ou seja, assim como nos recomenda São Tiago em sua carta da fé com obras, pois sem elas é morta. Nosso beato nos chama a traduzir nossas ações em gestos concretos da criação de Deus e nos santificarmos pelo trabalho.
A imagem de Nossa Senhora do Trabalho foi esculpida pelo engenheiro Santirana. Não se sabe se a inspiração foi dele ou do Pe. Luis. Contudo, o que se sabe é que Guanella queria que os trabalhadores quando olhassem para aquela imagem pudessem sentir-se protegidos por aquela Mãe tão terna e atenciosa.
No Brasil a devoção a Nossa Senhora do Trabalho chegou por meio dos Irmãos e Padres Servos da Caridade. Inicialmente em Santa Maria – RS, contudo em Porto Alegre, capital gaúcha, é que a devoção ganha concretude por meio da paróquia Nossa Senhora do Trabalho, que em 1987 foi elevada ao titulo de Santuário. Atualmente, é pároco o Pe. Ivo Catani e a festa é celebrada sempre no dia 1 de maio (dia do Trabalhador).
Que Nossa Senhora do Trabalho abençoe a cada um dos Trabalhadores do Brasil e do Mundo. Nossa Senhora do Trabalho, Rogai por nós.

ORAÇÃO DO DESEMPREGADO

Ó mãe amável. Nossa Senhora do Trabalho! Prostrado aos vossos pés, suplico-vos, humildemente, olhai, com bondade, para este (a) vosso (a) servo (a) desempregado (a). Minha situação é muito difícil! Não sei mais a quem recorrer. Tudo é insegurança e escuridão ao meu redor. Por isso, estou em busca de uma luz. Sei que posso encontrá-la batendo à porta de vosso coração. Quem recorre a vós não fica de mãos vazias, desprotegido (a), pois sinto que encontro segurança em vossas mãos, sob o vosso olhar de ternura, e abrigado (a) por vosso manto protetor! Aceitai,portanto, o meu apelo,concedendo-me a graça de um emprego. Preciso trabalhar! Prometo-vos que o meu coração estará sempre aberto àqueles que precisarem de minha ajuda. Muito obrigado, ó mãe do Divino Trabalhador, por ouvirdes minha oração. Amém.
Autoria: Pe. Atanásio F. Schwartz
Aprovação eclesiástica: D. Altamiro Rossato



Por Tiago Silva

segunda-feira, 19 de abril de 2010




BEM-AVENTURADA CLARA BOSATTA

A Família Guanelliana está em festa, em especial as Irmãs Filhas de Santa Maria da Providência. Comemoramos no dia 21 de abril o 19° aniversário de beatificação da Bem-aventurada Clara Bosatta. Ela que nasceu em Pianello Lário, às margens do lago de Como, na Itália, em 27 de maio de 1858.
Quando criança, Dina (seu nome de batismo), tinha o sonho de ser professora. Com muito sacrifício inicia seus estudos junto as Irmãs Canossianas, que trabalham com a educação. Nesse período sente-se atraída pela vida religiosa. Mas, apesar de sua boa conduta e piedade entre as Irmãs, tinha uma saúde muito frágil e não foi acolhida no Convento. Apesar desta triste notícia ela não desanima, pois Deus havia reservado outros planos em sua vida.
Chega de volta à sua paróquia, na cidade de Pianello Lário e o Pe. Carlos Coppini a acolhe com todo zelo e carinho. Ele já tinha a intenção de reunir um grupo de jovens dedicadas e corajosas, dispostas a atender as necessidades dos pobres. A irmã de Dina, Marcelina, já estava entre as jovens que fariam parte desse grupo de aspirantes à vida religiosa.
Após um período de caminhada na paróquia, Dina é convidada a fazer parte do grupo de, agora, religiosas. No primeiro momento ela recusa, mas depois de muito refletir ingressa no grupo das Irmãs Filhas de Maria, tomando o hábito religioso. A partir daquele momento, irá se chamar Ir. Clara Bosatta. No dia de sua vestição suplica a Jesus numerosas virtudes, não escondendo o desejo de santidade: “Meu querido Jesus, peço-vos estas belas virtudes tanto queridas ao vosso belo Coração, pelo vosso sangue derramado pelo meu amor, e pelos vossos santíssimos méritos e não cessarei de vo-las pedir, até que as tereis esculpidas no meu coração. Dai-me a graça e os meios para que possa exercitar-me nestas virtudes e tornar-me logo santa”. Sua vida junto aos órfãos e necessitados seria de inteira doação.
Com a morte do Pe. Carlos Coppini, assume o seu lugar o Pe. Luís Guanella (para cuidar da paróquia e do grupo de religiosas). Pe. Luis Guanella sofria muitas perseguições naquela época, tanto por parte das autoridades civis, quanto por parte das autoridades eclesiásticas, por causa de sua dedicação aos pobres e as obras de caridade. Por este motivo chegou com a desconfiança das Irmãs.
Mas, em pouco tempo essa desconfiança tornou-se admiração, pois elas descobriram em Guanella uma pessoa amiga, com um coração de pai. Certa vez, a Irmã Marcelina foi procurá-lo para confissão e relatou essa cena para as demais irmãs: "Acabara de chegar de uma viagem, cansado, faminto. Sobre a mesa havia uma travessa de salada. Tinha também um galheteiro, mas ele não usou óleo nem vinagre. Comeu aquela salada com sal e polenta fria... Então eu compreendi que aquele é o padre que estamos procurando".
A partir de então, com a influência e as bênçãos do Pe. Luis Guanella, as Irmãs Filhas de Maria tomam novo rumo. Nasce a Congregação das Irmãs Filhas de Santa Maria da Providência (guanellianas). Palavras do Pe. Guanella: “O amor de Jesus e a meditação do crucifixo sejam o programa das Filhas de Santa Maria da Providência e a ele conformem elas todas as suas ações e a sua vida”. O campo de trabalho só tende a aumentar junto às crianças, na educação e na catequese, no cuidado aos idosos e as crianças com necessidades especiais. A Congregação se expande, indo até a cidade de Como (a maior da região), como forma de levar a caridade a mais pessoas.
A Irmã Clara Bosatta vive intensamente sua consagração, percorrendo de forma generosa e humilde o caminho da perfeição cristã, confiando sua vida a Deus Pai Providente e Misericordioso. Devido a sua frágil saúde e as constantes privações com que passa, contrai uma grave doença, e após um longo período de enfermidade, acaba por falecer em 20 de abril de 1887. Em seus últimos dias de vida dizia: "Verei o meu Senhor". Ela viveu apenas 29 anos, que foram suficientes para testemunhar a caridade aos mais pobres e viver sua paixão por Jesus Cristo.

ORAÇÃO À IRMÃ CLARA BOSATTA
Ó Jesus, irmão dos humildes, que fizeste resplandecer a BEM AVENTURADA CLARA BOSATTA pelo espírito de sacrifício, tornado-a apóstola incansável do teu evangelho entre os pobres, comunica-nos o seu abandono total na Divina Providência, o amor pela oração, a paciência nos sofrimentos, o desejo de doação ao próximo mais necessitado. Concede-nos, por sua intercessão, a graça... que com fé te pedimos. Amém!
Pai Nosso. Ave-Maria. Glória.

Por Eli Marcel

terça-feira, 13 de abril de 2010

O que é o Postulado?

O Postulado é o convite que todo vocacionado recebe, “Vinde e Vede” (JO, 1-39), através do qual o candidato se prepara para o noviciado e decide ou não a abraçar a vida religiosa, no carisma da Congregação, no nosso caso, o Guanelliano.
Após o período de aspirantado, através de um pedido formal, manuscrito, e apreciação do conselho provincial, o candidato à vida religiosa é admitido no Postulado. Nesta etapa, o postulante terá a oportunidade de refletir sobre as motivações e suas expectativas quanto à vida religiosa guanelliana, que tem, como objetivo geral, possibilitar ao postulante alcançar uma maior clareza quanto à origem de sua vocação, amadurecimento de sua decisão, experimentando viver no seguimento de Jesus Cristo, à luz do Evangelho e do Carisma deixado pelo Padre Luis Guanella.
Aqui, nós somos ajudados a viver um desapego, através do qual optamos em seguir Jesus Cristo, que foi pobre, casto e obediente. Somos conduzidos a uma escolha livre e responsável à vida guanelliana. Cada Postulante é convidado a confrontar-se e, assim, aprofundando-se no autoconhecimento, e na formação cristã Guanelliana. Nesse período, temos também a oportunidade de conhecer a vida e a missão de nossa província, especialmente no que se refere aos destinatários de nosso carisma, as crianças e os jovens que se encontram em estado de abandono material ou moral, assim como os idosos, os menores com deficiência, estendendo-nos ainda no atendimento ao povo de Deus, no trabalho pastoral.
Já é o segundo ano que o postulado Guanelliano esta em Piraquara, Paraná. Neste ano, somos oito postulantes: Antonio e Gildenor de Pernambuco, Francisco Bernardone do Piauí, Tiago da Bahia, Elimar de Goiás, Eli Marcel e Ricardo de São Paulo e Valdecir de Santa Catarina. Seguimos um regimento interno, com um programa que contemple as dimensões da vivência humana, cristã e Guanelliana, tudo isso em consonância com as atividades próprias desta etapa (Oração, estudo, convivência, trabalhos domésticos e trabalhos pastorais, junto à comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro).

Por Elimar Macedo