sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia Internacional da Amizade



Queridos Amigos e Amigas








Hoje, comemoramos o "DIA INTERNACIONAL DO AMIGO", assim, queremos fazer nossa lembrança desta data. Estamos publicando um texto  do radialista Carlos Martendal, que conduz o Programa Palavra Viva pela Rádio Cultura de Florianópolis e pela Rádio Católica AM 1500 Mais Feliz com Jesus, de Balneário Camboriú.


"Nesta sexta-feira, dia 20 de julho, celebra-se o Dia Internacional da Amizade. Vamos, então, refletir sobre a amizade, agradecendo os amigos que Deus colocou em nossa vida. Diz o autor sagrado, no livro do Eclesiástico 6,14-17: "Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel: o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá também uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante". Nenhum amigo é melhor, nenhum amigo é tesouro mais rico do que Aquele que afirmou: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos" (Jo 15,13). Como isso é grande, quase – humanamente incompreensível: Jesus, o Filho de Deus, entregou sua vida por mim. Para salvar-me. Porque é meu amigo! Essa morte era necessária para minha redenção; os sofrimentos todos por que Ele passou eram necessários para minha salvação. Na sua Paixão, tão dolorosa, Jesus me teve presente; nos momentos tão cheios de dor em que esteve na cruz, eu estive no seu pensamento, no seu coração. Ele sabia quem eu seria e como seria. Ele sabia como eu o ofenderia no curso de minha vida: mesmo assim, com o Pai e o Espírito Santo, me chamou à vida e, para que eu pudesse tê-la em abundância, deu a sua vida por mim. E me disse, sem se queixar: "Ninguém tem maior amor do que aquele que da a sua vida por seus amigos"! AÍ está o Amigo! O Amigo que é amor, um amor tão grande que me ama sem nenhum merecimento de minha parte; um Amigo que me pede para que eu o deixe ser meu amigo! E meus ouvidos ouvem, séculos depois, o grito de São Francisco pelas ruas de Assis: "O amor não é amado! O amor não é amado!"... O Amigo que me ama, repete o Pobrezinho de Assis, não é amado Jesus, meu Amigo; Jesus, teu Amigo: nosso melhor Amigo! Saint-Exupéry, autor do célebre 'O Pequeno Príncipe', referindo-se ao amigo, escreve assim: "Diante do meu amigo não devo desculpar-me, não devo defender-me, não devo demonstrar nada; perto dele encontro a paz". Quero aproveitar essas palavras e dizê-las a Jesus, pois perto dEle verdadeiramente encontro a paz! Jesus disse: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30). Então, se Ele é meu Amigo, o Pai também o é, e igualmente o Espírito Santo. Com que animo revigorado, com que alegria ouço agora as palavras de Paulo aos Efésios: "Sois da família de Deus. Vos fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo rio Senhor. E vós também sois integrados nesta construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito" (Ef 2,19b-22)! Pouco antes, esse mesmo capítulo décimo de São João nos apresenta Jesus, o Bom Pastor. No versículo terceiro, lemos: "Ele chama as ovelhas pelo nome". São Tomás de Aquino "ressalta a grande familiaridade existente nesse relacionamento, pois chamar pelo nome significa ter íntima amizade" (Pe. João Clá Dias,"Arautos do Evangelho", abril de 2007). Direi, então, ao Amigo: "Não te amo somente por aquilo que és, mas também por aquilo que sou quando estou contigo. Não te amo somente pelo que fizeste de ti, mas pelo que fizeste de mim. Te amo por todo o bem que me fizeste e por toda a felicidade que me deste. É isto que significa ser amigos, depois de tudo" (S. Lawrence). "Te amo (...) por aquilo que sou quando estou contigo": ah, sim, como sou diferente, como sou bom quando estou com meu Amigo! Eis O visitei ha pouco, logo tenho vontade de visitá-lO de novo; se faz tempo que não O visito, Ele me espera. Ansioso, até, me atrevo a dizer. Como o pai do filho pródigo retratado na bela parábola que Lucas escreveu. Como é bom ter um Amigo assim, Amigo que nos dá amigos! Vamos falar, então, desses amigos que o Amigo nos dá. São Josemaria Escrivá como que bradava: "Filhos de Deus! Eis uma condição que nos transforma, em algo mais transcendente do que em pessoas que se suportam mutuamente. Escuta o Senhor: 'Vos chamo amigos! - somos seus amigos, que, como Ele, dão com gosto a sua vida pelos outros, nas horas heróicas e ria vivência diária" ("Sulco", 750). Temos sido assim, amigos dos nossos amigos? Ao perder um amigo, porque a morte o colhera, Santo Agostinho, registrando esse fato nas "Confissões" diz: "Só o choro me era doce" (IV, 4,9)! Também nosso Amigo com a maiúsculo, ao perder seu grande amigo Lázaro, chorou. Está lá, num dos versículos mais curtos da Bíblia: "E Jesus chorou" (Jo 11,35)! E o evangelista registra, com fina delicadeza: "Observaram por isso os judeus: 'Vede como Ele o amava!'" (Jo 11,36)!. Horácio, célebre poeta latino que faleceu no ano 8 a.C., era amigo de Virgílio, o mais importante dos poetas latinos, autor da famosa "Eneida". Nas "Odes", 1,3, escreveu: "Ó nau, que levas Virgílio, a ti confiado, peço-te que o entregues, incólume, aos territórios da Ática, e me conservei essa metade de minha alma". É isso, um amigo: a metade de minha alma! Que bela definição! São Francisco de Assis e Santa Clara eram grandes amigos. Comentando essa amizade. Frei Patrício Sciadini como que sussurra aos nossos ouvidos, para que as palavras fiquem mais bem guardadas: "As amizades servem na medida em que nos acudam a ser mais de Deus e dos outros"! ("O Mílite", dezembro de 2007, página 41). 
Já faz alguns anos. Era de manhã. Um amigo me telefona, dizendo que precisava falar comigo. Digo-lhe: 'Deixa-me ver quando posso'. Ele responde: 'Não, precisa ser agora'. Peço, então, que venha. E ele veio, e falou, e falou, e eu só o ouvia. Depois de quase duas horas, refeito, agradeceu-me muito. "Eu precisava desabafar, eu precisava que tu me escutasses. Muito obrigado!". Que bela obra de caridade, o saber ouvir! Esse fato fez-me lembrar de história que aconteceu com outras duas pessoas "Um dia - é assim que começa - um dia, quando estava na minha casa, eram umas 11 horas da noite quando recebi o telefonema de um querido amigo. Seu telefonema me deixou muito feliz. A primeira coisa que ele perguntou foi: - Como você está? E, sem saber por que, eu lhe respondi: - Muito só. - Você quer conversar? - ele perguntou. - Sim - respondi. - Você quer que eu vá até sua casa? - Sim - respondi novamente. Desligou o telefone e em menos de quinze minutos lá estava ele tocando a campainha. Eu comecei falando por horas de meu trabalho, minha família, minha namorada, meus problemas e dúvidas, e ele, atento, me escutava. Naquele dia eu estava muito cansado mentalmente, e a sua companhia me fez muito bem. Além do mais, do começo ao fim ele me escutou com atenção, me apoiou e me aconselhou. Assim, quando ele notou que eu estava melhor, disse: - Bom, agora preciso ir trabalhar. Surpreso, falei: - Amigo, por que não me disse antes que teria que ir trabalhar? Veja que horas são: você não dormiu nada, eu roubei seu tempo por toda a noite. Ele sorriu e me respondeu: - Não tem problema, para isso existem os amigos! Ao ouvir isso, fiquei feliz por contar com um amigo assim. Acompanhei-o até a porta e quando ele caminhava para seu carro, gritei:- Ei, amigo, por que você me telefonou tão tarde? O que você queria? Ele voltou e me disse com voz baixa: - É que eu queria te dar uma notícia... Fui ao médico e ele me disse que meus dias estão contados: tenho um tumor no cérebro e não poderei operar. É maligno. Assim, só posso esperar...Naquele momento, fiquei mudo. Ele sorriu e disse: - Tenha um bom dia, amigo! Entrou no seu carro e se foi. Precisei de um bom tempo para assimilar a situação, e até hoje me pergunto por que, quando ele me perguntou como eu estava, eu me esqueci dele e só falei de mim. Como ele teve força para sorrir, para me escutar e dizer tudo o que me disse? Desde aquele dia a minha vida mudou. Deixei de ser tão crítico com meus problemas e de me preocupar só comigo. Agora, aproveito meu tempo para estar mais perto das pessoas que amo, perguntar como elas estão e me interessar mais por elas, sem esperar nada em troca. Tento sentir mais profundamente aqueles que estão à minha volta e aqueles que passam por minha vida. 'Não existe maior amor do que dar a vida por seus amigos', disse Jesus. Fazer um amigo é um dom. Ter um amigo é uma graça. Conservar um amigo é uma virtude. Agora, você ser um amigo, é uma honra!". Como não lembrar, ao final dessa história, as palavras de Henry Ward Beecher: "Não mantenhas fechado o estojo de alabastro onde guardas amor e ternura, mas enche de doçura a vida dos teus amigos, e fala a eles com palavras suaves, a fim de que seus ouvidos possam ouvi-las, e seus corações encher-se de alegria"? E como se encaixam bem as palavras de Tomasi: "O coração repousa e se alegra quando um amigo o acolhe e o escuta"! Jesus sempre nos acolhe e nos escuta sem precisarmos marcar audiência... Ouve-nos com atenção e amor de manhã, ou de tarde, ou à noite, ou em plena madrugada. E, se quisermos, nos fala, quando quisermos. É só ir à Palavra, ou visitá-lO nos sacrários de nossas igrejas, ou ir ao encontro daqueles em quem Ele mesmo está... Os caros amigos Cláudia e Jefferson Secco, das Equipes de Nossa Senhora, enviaram-me a história do CAVALO CEGO, que agora repasso para vocês. É muito bonita. "Na estrada de minha casa há um pasto. Dois cavalos vivem lá. De longe, parecem cavalos como os outros cavalos, mas, quando se olha bem, percebe-se que um, deles é cego. Contudo, o dono não se desfez dele e arrumou-lhe um amigo - um cavalo mais jovem. Isso já é de se admirar. Se você ficar observando, ouvirá um sino. Procurando de onde vem o som, você verá que há um pequeno sino no pescoço do cavalo menor. Assim, o cavalo cego sabe onde está seu companheiro e vai até ele. Ambos passam os dias comendo e, no final do dia, o cavalo cego segue o companheiro até o estábulo. E você percebe que o cavalo com o sino está sempre olhando se o outro o acompanha, e, às vezes, pára para que o outro possa alcançá-lo. E o cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiante que o outro o está levando para o caminho certo. Como o dono desses dois cavalos, Deus não se desfaz de nós só porque não somos perfeitos, ou porque temos problemas ou desafios. Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio quando precisamos. Algumas vezes somos o cavalo cego guiado pelo som do sino daqueles que Deus coloca em nossas vidas. Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando outros a encontrar seu caminho. E assim são os bons amigos. Você não precisa vê-los, mas eles estão lá. Por favor, ouça o meu sino. Eu também ouvirei o seu!". Diz-se que somos seres evoluídos. Sim, somos. Mas, o que é, mesmo, 'evolução'? Li - já não sei mais onde – que "evolução é quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás"! É uma verdade que cutuca, que desinstala, que nos provoca para sermos felizes! Machado de Assis, nosso grande escritor, como que sentenciou: "Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz"! Sim, a amizade se sente, ela mora no lado esquerdo do peito, naquele lado em que o soldado meteu a lança e de onde saiu água, a água Viva do corpo de Quem morria para dar-nos a vida em abundância... Confúcio, o mais célebre filósofo chinês, morto em 479 a.C., deixou-nos um alerta: "Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade"! Albert Einstein, físico alemão naturalizado americano, faleceu em 1955. Prêmio Nobel em 1921, criador da teoria da relatividade, teólogo evangélico, escreveu também sobre a amizade. E o fez muito bem. Disse assim: "Pode ser que um dia deixemos de nos falar... Mas, enquanto houver amizade, faremos as pazes de novo. Pode ser que um dia o tempo passe... Mas, se a amizade permanecer, um de outro se há de lembrar. Pode ser que um dia nos afastemos... Mas, se formos amigos de verdade, a amizade nos reaproximará. Pode ser que um dia não mais existamos... Mas, se ainda sobrar amizade, nasceremos de novo, um para o outro. Pode ser que um dia tudo acabe... Mas, com a amizade construiremos tudo novamente, cada vez de forma diferente, sendo único e inesquecível cada momento que juntos viveremos e do qual nos lembraremos para sempre. Há duas formas para viver a sua vida: uma é acreditar que não existe milagre. A outra, é acreditar que todas as coisas são um milagre!". Que o Senhor e Amigo abençoe nossos amigos. E que cada um de nós possa ser, para o amigo, para a amiga, uma bênção, assim como eles são uma bênção para nós."  


Texto escrito por: Carlos Martendal ( programapalavraviva@gmail.com)




Nenhum comentário:

Postar um comentário